ENCHENTE - 9 DIAS DEPOIS

A chuva forte que provocou tromba d’água e cheia no córrego Jataí, região da cidade e zona rural, ocorreu dia 2 de março de 2010, uma terça-feira. O lago JK foi atingido em cheio pelo volume de água que veio descendo causando destruição com uma enorme correnteza. O resultado foi que o lago acabou servindo de caldeirão para o excesso de água e transbordou causando inundação a sua volta. Os moradores dos arredores tiveram suas casas e estabelecimentos comerciais, subitamente, invadidos por uma incrível quantidade de água suja.


Na quinta-feira, 11 de março, o lago JK já estava livre de excesso de água. Havia apenas um restante de barro e lama seca na vegetação. Aproveitando a estiagem do período, os freqüentes aproveitaram para voltar com a rotina de atividades físicas na pista a sua volta. A administração pública procedeu à retirada da roda do lago para reparos. Comerciantes atingidos também recolhiam o que havia restado de seus bens.


ARI HUDSON - Passados nove dias do desastre da enchente em Jataí, ainda têm vítimas contabilizando prejuízos e aguardando ajudas para recomeçar suas vidas. O senhor Ari Hudson, por exemplo, está se preparando para mudar os rumos. Ele que é proprietário do Comercial do Lago (bem em frente ao Lago JK) só tem lamentações pelo ocorrido em seu estabelecimento.


90% DE PERDAS - A enchente colocou a altura de um metro e meio de água e lama para dentro do comercial do senhor Ari Hudson fazendo perder todo seu material perecível. Sobraram apenas enlatados, vidros, garrafas e outros gêneros não perecíveis. Em suas estimativas, 90% das mercadorias foram perdidas. O mercado comportava bastantes produtos nas prateleiras. Das seis gôdolas, sobrou apenas à prancha da última prateleira com produtos.


R$ 130 MIL EM PREJUIZOS - Em reais, o prejuízo de seu Ari Hudson foi grande. Apesar dele não ter conseguido recuperar seu computador para somar as mercadorias, calculou que teve em torno de R$ 130 mil de percas em produtos que tiveram de ser descartados após a enchente. A soma variou entre mercadorias que ficaram sem rótulos, latas amassadas e outros itens descartados por risco de contaminação que nem para doação foi possível aproveitar.


AGUARDANDO AJUDA - O senhor Ari Hudson, agora, aguarda ajuda e apoio do Poder Público municipal para recomeçar sua vida. Ele reconhece que o prefeito e os vereadores já vêm fazendo bastantes coisas, mas aguarda uma ajuda em definitivo. O Poder Público pediu um prazo para conseguir ajudas financeiras aos comércios atingidos e aos moradores e o comerciante está ansioso por esse socorro.


ENCERRANDO ATIVIDADE - Na manhã do dia 12 de março (sexta-feira), o senhor Ari Hudson reabriu as portas de seu comércio e recolocou a venda as mercadorias que restaram em forma de liquidação. Ele também iniciou a vendas dos materiais que sobraram (componentes da empresa) e anunciou o encerramento de suas atividades no ramo de supermercado. A medida foi necessária e urgente. Seus compromissos pendentes o impedem de aguardar até o socorro do Poder Público.


DE MUDANÇA - Com as vendas do resto das mercadorias e mais maquinários e prateleiras, o senhor Ari Hudson pretende saldar suas dívidas com fornecedores. Ele também quer contar com a ajuda do prefeito para recomeçar em outro ramo de atividade, talvez confecção ou calçado. Com relação ao ponto, o comerciante só continuaria ali se houvesse reformas no lago JK para permitir maior vazão de água e não voltar a ter risco de transbordamento.


GLAUSENI DE JESUS – A cabeleireira Glauseni de Jesus está estabelecida há dois meses nas imediações do lago JK, ou, desde janeiro de 2010. Proprietária do Espaço Hair Cabeleireiros, ela está passando pelo momento mais crítico de sua vida: havia se submetido a uma arriscada cirurgia abdominal e viu suas coisas irem por água abaixo devido à enchente do dia 2 de março. Sorte sua que não estava no local naquele momento.


MATERIAIS PERDIDOS - Todas as suas mercadorias e produtos do salão foram perdidos. Os objetos e materiais de uso também ficaram danificados. Glauseni sobrou apenas com escova, cadeira de corte e lavatório, mesmo assim danificados. Seus produtos, depois da enchente, foram jogados fora pela Vigilância Sanitária para evitar contaminação. Morando nos fundos de seu estabelecimento, Glauseni também teve prejuízos com os objetos e utensílios domésticos.


NO PREJUÍZO - Glauseni não sabe precisar o valor de seu prejuízo, mas tem idéia de que não foi pouco. Para exemplificar, há um mês, ela havia comprado um kit de tratamento capilar no valor de R$ 650,00 e ainda não havia pago nem a primeira parcela. Agora perdeu o produto e não tem como trabalhar.


OPERADA - Glauseni havia retirado os pontos de sua delicada cirurgia abdominal nesta semana. Ainda convalescente, ela não pode trabalhar e não tem outra fonte de renda para se sustentar ou recomeçar sua vida. Está valendo do apoio de sua mãe e seus irmãos que moram junto com ela nos fundos do salão.


FAIXA - Um cunhado da Glauseni providenciou uma faixa para a porta do estabelecimento. Sem receio de dizer que ficou na pior, a cabeleireira expõe aos transeuntes seu drama e sua condição de vítima da catástrofe. A tentativa é sensibilizar para conseguir ajudas e recomeçar. O primeiro resultado foi que ela conseguiu ganhar um kit de cosmético Germany (escova progressiva, toalha, caneta e bloquinho) no dia seguinte a colocação da faixa, que foi na quarta-feira, 10 de março.


LISTA - Glauseni também apelou para uma lista contendo o que perdeu e o que precisa de ajuda para recuperar. Operada e sem suas mercadorias, ela chegou a mostrá-la para a assistência social do município e teve a resposta de que os itens da lista são supérfluos quando comparados às necessidades de outras vítimas. Mas Glauseni não vê nada de supérfluo em tentar recuperar o que perdeu uma vez que ela diz ter trabalhando muito para conseguí-los. Ela não sabe a quem recorrer.


REPAROS - A prefeitura também está ajudando Glauseni a recuperar-se da tragédia. A equipe de pedreiros e serventes da municipalidade esteve, na quinta-feira, 11 de março, iniciando obras de reparos e reformas no imóvel da cabeleireira. O que foi quebrado e danificado nas paredes recebeu mão de obra.


MARCA - A marca na altura de um metro e meio e até mais alto na parede da casa da Glauseni mostra onde o enorme volume da água suja da enchente atingiu dentro do imóvel. Utensílios ficaram submersos. O fogão elétrico ficou danificado, a geladeira quase pifou, espelhos quebraram, dentre outros.


TRISTEZA - A maior tristeza de Glauseni foi ver o estrago provocado em suas cadeiras da mesa da cozinha. Ficaram com aparência de sucata. Da cama da cabeleireira só sobrou o estrado. O colchão Ortocrim, de quatro anos de garantia, também ficou encharcado e foi dispensado pela Vigilância Sanitária. Apesar da tragédia, Glauseni não pretende se mudar do local. O motivo é que o valor do aluguel é acessível a ela. Aos 42 anos e com um passado de luta e esforço, a cabeleireira chora e se revolta por ter perdido suas coisas e agora não ter como ser ressarcida.
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Quem quiser ajudar a trabalhadora Glauseni em sua tentativa de recuperação pode procurá-la em seu endereço que fica na Rua Perimetral bem em frente ao lago JK (ao lado do Comercial do Lago) ou ligar em seu telefone: (064) 9671-7108. Inclusive esse celular Glauseni diz que é emprestado.
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