ENTREVISTA: LUCIMAR CARDOSO NOGUEIRA (SMT)

Falta boa gestão por parte da Auto Viação Jataí para resolver os problemas do transporte coletivo

Lucimar Cardoso Nogueira é o atual superintendente de Trânsito de Jataí


    Segunda-feira, 25/11/2013

    Assim que surgiu a atual problemática do transporte coletivo urbano, a Auto Viação Jataí, empresa responsável, foi procurada para que pudesse falar a esse respeito e explicar os motivos que causaram as fiscalizações e apreensões, por parte da Superintendência Municipal de Trânsito-SMT, de 14 ônibus de 21 em circulação (linhas dos bairros e linha até a portaria da usina Raízem). Infelizmente, na sede da empresa não foi encontrado ninguém que pudesse dar essas respostas, apenas um atendente do escritório disse que o mais indicado seria um funcionário de nome Ricardo, mas que, na verdade, ninguém gosta de responder a essas questões. Segundo justificou, em outras vezes, quando houve problemas dessa natureza, o atual proprietário da Auto Viação Jataí, que de chama Marcos e que mora em Minas Gerais e que também possui empresa de transporte coletivo em Cuiabá, vem a Jataí tratar, diretamente, com o prefeito no gabinete e depois volta. Quem aqui fica só faz serviços rotineiros e relata tudo para o proprietário. Nesta nova crise, os primeiros cinco ônibus apreendidos (fotografados nessa matéria) foram levados para uma área no estádio Arapucão. Eles ainda ostentam o selo de aprovados em inspeções da SMT (Superintendência Municipal de Trânsito de Jataí), mas a própria SMT diz que a empresa pode ter usado artimanhas para conseguir essas aprovações. Consequente a mais esses problemas, a câmara de vereadores, em consonância com a prefeitura, está pedindo a rescisão do contrato de exploração das linhas de ônibus coletivos com a Auto Viação Jataí e a busca de uma nova empresa interessada e em condições de assumir esse serviço. Procurando o prefeito Humberto Machado para saber das providências que estão sendo tomadas nesse sentido, o chefe de gabinete, Marcelo Tosta, informou para que fosse procurado o superintendente, Lucimar Cardoso Nogueira, que seria a pessoa em condições de responder pelo município sobre essa problemática. Ao ser procurado pela reportagem, o superintendente concedeu esta entrevista exclusiva ao Blog Alvo Notícias:

      BLOG ALVO NOTÍCIAS – Como foi feito todo esse processo que culminou na apreensão de ônibus da Auto Viação Jataí, e agora como está essa situação?
    LUCIMAR CARDOSO – Primeiro é importante salientarmos o seguinte: o problema do transporte coletivo em Jataí já vem de muito tempo. Quando assumimos a SMT, em 2009, já havia reclamações. O proprietário em empresa era outro. De lá para cá, sempre buscamos soluções e ele nos afirmava que já estava vendendo a empresa e que não tinha mais interesse. Desde então ficamos aguardando. É importante frisarmos que o contrato vigente é de oito anos (de 2008 a 2016) e que todo o processo licitatório foi feito antes da entrada do prefeito Humberto Machado. Portanto, ainda faltam três anos para que o atual contrato possa findar. A empresa foi negociada e o novo proprietário, de Minas Gerais, não quis mudar seu CNPJ. Assim, ele manteve os direitos sobre o mesmo contrato e processo licitatório. Alegando dificuldades iniciais, como problemas nos ônibus, falta de equipamentos e mão de obra qualificada, ele disse que teria de fazer adaptações. Desde então, vem trazendo a situação, tipo assim “empurrando com a barriga”. Percebemos pouca falta de vontade em resolver a questão. Fizemos várias blitzen com fiscalizações e vistorias nos veículos e percebemos que alguns, realmente, não estavam em condições de rodar. Detivemos, por várias vezes – essa não foi a primeira vez – só um ou dois para não parar o serviço. Eles levavam os ônibus e resolviam, mas os problemas tornavam a voltar. Recentemente fizemos outras fiscalizações e detivemos mais cinco. Nessa última culminou na detenção de 14. Parando essa quantidade de veículos, a população sentiu. Outra questão é que há muitas reclamações de universitários e de usuários da linha Jataí-Raízen - que também é uma linha pública. Diante de tudo isso foi que eu havia determinado uma fiscalização mais intensiva e se necessário que se fizesse a detenção dos veículos. Mas isso não é apreensão. Tem que se saber a diferença. Apreensão já é uma pena e para isso tem de se passar por processos, dar prazos e chances de defesa. Retenção é verificar que o veículo não estar em condições de circular e impedir. Aquilo que puder ser resolvido no local libera e o que não for há a remoção. No caso, houve a retenção de veículos no local e removemos os mesmos para um pátio específico onde ficou esperando-se a solução do problema. Tão logo se revolva os veículos podem ser liberados. Mas veja bem, fizemos um trabalho na quinta (07/11/2013) e na sexta (08/11/2013). Na mesma sexta-feira, a tarde, sete dos veículos já estavam em condições de liberação. Entretanto, o Poder Judiciário embargou três deles. Assim, três dos que estão parados é por conta da Justiça e não da gente. Segundo informações, o motivo é referente a pagamentos de dívidas, mas não cabe a nós afirmar isso. Nossa preocupação é outra. Os sete que ainda ficaram estão com irregularidades. Os veículos que tinham selo de vistoria que a imprensa viu e vocês, do blog, fotografaram, tem explicação simples. A vistoria se faz de três em três meses ou de seis em seis meses. Após esse período o veículo circula e, de repente, queima uma seta ou um banco começa a soltar parafuso. Então, sem seta, com banco estragado e sem cinto de segurança, o veículo vai ficar retido. Tem lá o selo de vistoria feito anteriormente, mas, após isso, não houve manutenção. Há vários outros exemplos, veja só: o tacógrafo a qualquer momento, pode queimar. Quando ele passou na vistoria, o disco do tacógrafo estava todo certinho. Os pneus carecas é outro que, quando passou pela vistoria, estava tudo correto – podem ter colocado pneus novos só para passar na vistoria e, depois, recolocado os velhos. A documentação poderia estar regularizada para a vistoria e depois que venceu e não foi paga. Inclusive isso, infelizmente, é comum com outros motoristas. Insisto - sem, contudo, afirmar - que, nas vistorias podem ter ocorrido algumas dessas situações. Até o condutor, que precisa fazer curso especializado, estava com defasagem. Mas tudo isso é passível de solução. Também com a fiscalização outros tipos de inconvenientes ouveram, como por exemplo, pessoas que estavam dentro dos ônibus tiveram que descer. Ficou até aquela pergunta: “Por que a SMT não fez isso lá na porta ou dentro da empresa?”. Vejam bem, com as reclamações da população e dos universitários, tive de verificar, justamente, quando os veículos estavam circulando. Fui ver, in loco, as condições dos veículos para saber se eles não estavam garantindo a segurança dos usuários. Se fosse ainda dentro da empresa eles poderiam me dizer que os ônibus fiscalizados seriam consertados e regularizados. Mas, ali, na via é diferente. O flagrante mostra que eles estavam, de fato, prestando um serviço de má qualidade. Aqueles passageiros que tiveram de descer foram informados, por nós, que não poderíamos permitir a circulação a partir daquele momento da detecção da falha envolvendo segurança. Então o que a empresa deveria fazer – e o contrato reza isso - ? É o seguinte: quando a SMT retém um ônibus, automaticamente, a empresa deve operar com um reserva. Infelizmente, observamos que, naquele momento, não havia nenhum substituto. Foi irresponsabilidade da empresa e essa situação nos faz ficar ainda mais preocupados com o transporte coletivo em Jataí. Estive na câmara de vereadores prestando esclarecimentos, fizemos reuniões com o Ministério Público junto com a empresa e a procuradoria do município e tínhamos em mãos os laudos de vistorias de todos os veículos mostrando quais seriam as soluções. A empresa se comprometeu, a cada semana, em nos apresentar oito ônibus em condições de rodar, mas infelizmente, não cumpriu. Essa nossa ação, agora, de mandar parar quase todo o transporte coletivo, não foi algo impensado e sem planejamento. Veja só: em abril deste ano já tínhamos tido uma conversa com eles através de uma vistoria. Inclusive já deveríamos ter parado naquela época. Essa situação seria facilmente resolvida se houve interesse por parte da empresa. Em 22 de novembro de 2013 notificamos, através de documento oficial, que a empresa recolhesse todos os seus 21 veículos fiscalizados. Avisamos que, se o problema não fosse resolvido, poderia haver a recisão do contrato com o município. Para isso, até já estávamos buscando outras empresas que porventura tivessem interesse em fazer com que o transporte coletivo em Jataí não parasse. Os 14 ônibus que paramos quase causou um caos. Auto Viação Jataí têm 34 ônibus cadastrados, dos quais 21 prestam serviço de transporte coletivo na cidade e os demais prestam serviços para as indústrias. Até mesmo estes das indústrias estão na mesma situação de irregularidade.





       BLOG ALVO NOTÍCIAS – Sobre as soluções que a Prefeitura, através da SMT, está buscando para tentar resolver esse problema, o que está sendo feito?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Tivemos uma reunião com o prefeito e o mesmo determinou que fizéssemos uma busca por empresas interessadas em vir para Jataí, para que, caso for necessário, seja feita a rescisão do contrato com a Auto Viação Jataí ou mesmo somente uma suspensão até que ela regularize sua situação – isso é permitido no contrato. Pelo prazo de 90 dias poderíamos estar contratando outra empresa e essa seria uma solução imediata. Só que estamos em um dilema: outras empresas ainda não apareceram. Algumas estão nos visitando e demonstrando algum interesse enviando seus emissários e estudando a demanda para sentir se vale a pena ou não fazer os investimentos necessários. Esta situação, claro, exige novos investimentos, pois necessitamos, imediatamente, de 19 ônibus. Pergunto: qual empresa teria, neste momento, 19 ônibus em condições de circular aqui? Claro que se vierem nas mesmas condições não vão circular porque iremos fazer as mesmas fiscalizações. Quando a esses empresários que nos procuraram estamos aguardando um sinal deles para saber qual o grau de interesse de virem para Jataí. Aproveito e deixo aberto via imprensa que, caso haja algum interessado, é só chegar aqui com ônibus novos. Isso o contrato nos permite e a lei municipal nos autoriza fazer. O que falta é só o interesse da parte empresarial.

        BLOG ALVO NOTÍCIAS – Referente às constantes reclamações do público usuário quanto ao estado geral dos ônibus, demora em passar no ponto, falta de educação dos motoristas, além de outras coisas, o senhor acha que se entrasse uma empresa com ônibus novos e motoristas mais empolgados e com ônibus passando nos pontos de 15 em 15 minutos, resolveria?
        LUCIMAR NOGUEIRA – Hoje temos um problema sério nas grandes e pequenas cidades do Brasil que é a demanda por transporte coletivo. Há um incentivo muito grande por parte do governo federal para o transporte individualizado (aquisições de carros e motos). Hoje em dia qualquer um pode comprar uma moto em inúmeras prestações. Não que isso seja ruim, mas é que fica na contramão da estória. Ora, veja só: incentiva-se o transporte individualizado e quer que o cidadão utilize o transporte coletivo?! Tenho percebido que isso gera uma grande dificuldade porque as empresas de coletivo fazem um investimento e depois não têm a demanda necessária. Temos que nos conscientizar de que vivemos em um mundo capitalista e não socialista. O cidadão precisa do ônibus e o ônibus precisa do cidadão pagando-o. O governo federal, que está incentivando o transporte individualizado, também poderia criar subsídios para o coletivo; sem isso, acho impossível que se resolva essa situação. Agora, é obvio que, com um transporte de qualidade, com condutores que sejam preparados até mesmo para o tratamento humano, com os ônibus passando em intervalos mais curtos e com um trabalho de conscientização e educação para o transporte coletivo, acredito que possamos aumentar essa demanda, pois estaríamos facilitando as locomoções. Só que é bom saber que isso custa tempo e investimentos. O empresário que vier para Jataí explorar o transporte coletivo tem que ter a consciência de que vai encontrar essa problemática. Temos usuários portadores de necessidades especiais e idosos que não pagam, além de estudantes que pagam meia passagem. Tudo isso é levado em conta pelo empresário que verifica a demanda, a necessidade, o investimento e o lucro da operação. É obvio, Não vamos tapar o sol com a peneira achando que tudo poderá ser resolvido as mil maravilhas. Veja: hoje estamos trabalhando as consequências e não as causas. Quais são essas causas? É o sistema econômico que vivemos no Brasil onde o transporte individualizado é motivado a todo momento enquanto que o transporte coletivo apenas se propaga mas não é estimulado. As consequências são: má qualidade do serviço, ônibus sem condições de rodar e condutores despreparados. Tem que haver uma mudança de comportamento. Isso não é uma tarefa fácil, porém, também não é impossível. Agora, é bom salientar que os órgãos públicos não resolvem isso sozinhos. Tem de haver a participação da imprensa para ajudar a provocar uma reflexão crítica e analítica da realidade e das causas.



       BLOG ALVO NOTÍCIAS – Se o senhor tivesse que responder, não como superintendente municipal de trânsito, mas como consultor autônomo: qual sua orientação ao empresário que viesse investir no transporte coletivo em Jataí, ou mesmo, qual conselho daria para àquele que aqui já está? Qual sua posição sobre todos esses investimentos necessários, como ônibus circulando em menor intervalo de tempo, veículos seminovos, motoristas mais qualificados e uma reestruturação na empresa? O senhor acha que para o empresário seria lucrativo?
         LUCIMAR NOGUEIRA – (antes de responder pensa um pouco) Nos primeiros dois anos não... Mas, veja bem: hoje temos um problema, reclamado pela própria empresa, que é referente a demanda de pessoas. Em razão de todas essas dificuldades, precisaríamos associar uma boa gestão empresarial a uma política de incentivo por parte do Poder Público, incentivo, este, ao uso correto do transporte coletivo, uma interação, pois o sistema não funciona sozinho. Mas então como seria essa política de incentivo por parte do Poder Público? Seria assim: primeiro deveria haver um trabalho com os próprios funcionários públicos municipais. Cidades do porte de Jataí, na faixa dos 100 mil habitantes, tem muito funcionalismo, como professores e outros e seria necessário fazer com que esse pessoal também utilizasse o transporte coletivo nessas boas condições colocadas aqui na pergunta. Assim, você poderia se programar, pois chegaria no ponto de ônibus e teria horário marcado para a condução passar. Em segundo lugar, deveria haver uma política para incentivar as empresas privadas e seus funcionários particulares a também utilizarem o ônibus coletivo. Hoje há outro problema sério em Jataí que é a falta de estacionamentos na região central. Sentaríamos com a Câmara de Dirigentes Logistas-CDL e com a Associação Comercial e Industrial de Jataí-ACIJ para promover esse incentivo. Como seria isso? Seria por meio do Vale Transporte que é uma questão de lei. Retomaríamos uma discussão em torno disso. Só assim eu acredito funcionar. E por que tudo isso tem que ser bem claro e objetivo? Porque, como já disse, não vivemos em um país socialista e sim capitalista onde o empresário quer obter lucro com a atividade. O empresário que vier a fazer um investimento não poderia fazer tudo de graça. Hoje existem tantos direitos para o cidadão referente ao transporte coletivo gratuito que inviabilizaria qualquer investimento em transporte coletivo privado. Digo com toda certeza que para dar certo precisaria haver uma parceria neste sentido entre os dois lados: empresário e Poder Público. A questão é que em Jataí não foi feito isso.

        BLOG ALVO NOTÍCIAS – A empresa Auto Viação Jataí, da forma como está operando, o senhor acha que, hoje, ela está tendo lucro ou prejuízo?
      LUCIMAR NOGUEIRA – Acredito que, com a NÃO prestação de um serviço de melhor qualidade, eles tenham outros recursos para sustentar o transporte coletivo aqui. Com 34 ônibus cadastrados na SMT eles possuem, inclusive, linha para a usina Raízen, entretanto, pelos dados fornecidos e pelo número de reclamações, nos parece que não estão reinvestindo na cidade. É o tal negócio de se pegar o dinheiro em uma cidade e aplicar em outro local. Mas deixo claro que digo isso por suposição, pois não tenho os documentos comprobatórios. Mas, a julgar pelos dados que temos, das linhas utilizadas e da quantidade de veículos, daria, com certeza, para que se fizesse as devidas manutenções, pagar folha salarial e manter a linha em boas condições. Pelos problemas levantados parece que há falta de boa gestão. Quando conversamos com as pessoas que estão gerindo a empresa aqui sentimos que há uma dificuldade de contato com o proprietário que reside fora. Esses fatos nos colocados de forma informal levam a crer que não estão reinvestindo aquilo que se ganha em Jataí. Falta boa gestão para que a coisa também possa dar certo.


    BLOG ALVO NOTÍCIAS – O Poder Público local (a Prefeitura na figura da Superintendência Municipal de Trânsito e Câmara Municipal de vereadores), por acaso, conhece o responsável (ou responsáveis) pela Auto Viação Jataí a ponto de saber se ele está agindo de boa ou má fé?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Não, porque intensificamos os contatos principalmente agora em razão desses problemas. Em meu caso específico (SMT), já tive duas ou três reuniões com ele por esse motivo. Uma delas foi com o prefeito onde cobramos para que ele resolvesse a questão. Outro encontro foi na presença do Ministério Público e outro foi quando ele esteve aqui na SMT. Em todas sempre foi cobrando soluções. Infelizmente, até agora, nada foi nos apresentado. Relativo a pessoa que representa a empresa aqui em Jataí sempre tivemos contato com ela solicitando para que fossem resolvidos os problemas. Trata-se de uma pessoa bem acessível e que demonstra interesse, mas que tem nos informado que problemas financeiro estão existindo e que não há repasses para que se possa operacionalizar. Mas isso são informações apenas informais.

      BLOG ALVO NOTÍCIAS – E de onde seriam esses repasses que a pessoa diz estar faltando?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Seriam repasses por parte do proprietário da empresa. Pelo que a pessoa nos disse, o dinheiro que se tem é depositado, direto, na conta do proprietário e o gerente aqui em Jataí, quando há necessidade, solicita repasses de verbas. Entretanto, nem sempre esses repasses chegam em tempo hábil que o possibilite a fazer as devidas manutenções, reparos e até pagamentos de funcionários.

     BLOG ALVO NOTÍCIAS – Em sua análise, o que a empresa Auto Viação Jataí precisaria investir para ficar em boas condições operacionais?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Veja só. Pelas nossas vistorias detectamos coisas até simples de serem revolvidas, como por exemplo, tacógrafos sem condições de funcionamento. Vemos que o que falta, de fato, é vontade de se fazer uma boa gestão. Como você deixa 21 ônibus em situação onde a maioria tem pneus carecas? Isso é pura falta de manutenção periódica. Sem falar na documentação dos veículos que é obrigação. Por isso, tenho observado que o problema da maioria dos veículos é de fácil solução e que só depende de gestão. Mas é claro que isso tem um custo. O segredo é reinvestir. Se fizessem manutenções periódicas como em qualquer veículo particular acredito que não teríamos chegado e essa situação. As vistorias foram feitas no tempo hábil e os ônibus passaram. Só que depois eles vão deixando. Com vistorias de seis em seis meses eles vão lá e resolvem, antes, mas depois, com o passar do tempo, vão deixando deteriorar. Se eles fizessem essas manutenções, independente de vistorias, tenho absoluta certeza de que não teríamos chegado a esse caos. Quero acreditar que, quando nosso transporte coletivo contar com um número razoável de usuários, essas manutenções possam ser feitas tranquilamente.

      BLOG ALVO NOTÍCIAS – Por favor, cite números (valores) para a empresa Auto Viação Jataí colocar em boas condições sua frota e fazer investimentos em itens como regularização das documentações, troca de pneus, troca da bancos, reformas de latarias, qualificação de motoristas, novas admissões, financiamento de mais veículos para aumentar o fluxo nas linhas e diminuir o tempo de espera (nos casos mais extremos certos passageiros esperam até duas horas para o coletivo passar), dentre outros. O que a empresa precisaria desembolsar hoje?
      LUCIMAR NOGUEIRA – Só que você falou em vários itens e para cada um deles eu precisaria fazer uma pesquisa de mercado. Como não sou empresário não tenho esses valores (risos). O que posso lhe afirmar é que, com certeza, esses valores, hoje, não seriam tão pequenos uma vez que a empresa deixou acumular. É como qualquer um de nós. Por exemplo, se você pegar seu veículo individual (carro ou moto) e for observar que os pneus estão carecas, os discos de freios estão gastos, a documentação está atrasada e outras coisas mais, o valor, para você pagar, será altíssimo.  Agora, se você fizer manutenção periódica e for corrigindo de acordo com a situação, os custos serão bem mais em conta. Não haveria grande volume para gastar e nem acúmulo de problemas no veículo com risco de acidente gravíssimo. Então foi isso que eles deixaram claro para nós. Os problemas foram se avolumando e não tomaram providência. Deveria haver ônibus reserva em perfeito estado e nem isso eles tinham. Agora, ainda referente a sua pergunta, infelizmente não tenho valores de itens como tacógrafos, pneus e outros. Realmente, para mim fica até complicado nesse momento (risos). Só que eu acredito que esses valores não sejam lá tão pequenos assim.

     BLOG ALVO NOTÍCIAS – Vamos chutar R$ 2 milhões. Será que ficaria por aí?
     LUCIMAR NOGUEIRA – (risos) É só chute! Citar R$ 1, R$ 2 ou R$ 3 milhões não sei, mas posso lhe assegurar que não ficaria tão pouco. Falar de valores eu estaria quase que falando de sexo dos anjos. Realmente não saberia, agora, aproximar esse valor.



      BLOG ALVO NOTÍCIAS – O que as empresas que estão sendo sondadas estão alegando para vierem operar em Jataí?
        LUCIMAR NOGUEIRA – O prefeito Humberto Machado já esteve com várias empresas. Algumas já estiveram aqui e ele esteve em Goiânia mantendo contatos. A primeira coisa é incentivar, pois, hoje em dia, todas querem incentivos. Não é uma nem outra. São todas! Isso é um problema sério porque todas querem que o Poder Público assuma responsabilidades privadas. Todas querem ajuda de alguma forma. É aquilo que eu disse antes: tem que haver parceria público-privada, mas sem sobrecarregar o Poder Público com obrigações que não são de sua alçada. É obvio que o transporte da cidade é de responsabilidade do município, mas não tem como o município arcar com uma situação dessa, principalmente, em cidades pequenas. Os recursos que a Prefeitura recebe, hoje, inviabilizaria a administração pública se caso fossem repassados para assumir todo esse serviço. As ajudas estão sendo feitas dentro das possibilidades para que hajam atrativos. Entretanto, o maior atrativo do transporte coletivo é o próprio usuário. Aqui, temos os universitários, mas esses pagam meia. Os empresários vêm com a mentalidade de comparar os preços daqui com os de Goiânia. Lá se paga R$ 2,75 e aqui R$ 2,50. Alguns já afirmaram que, se vierem, vão querer aproximar ao preço da capital. E ainda querem saber mais, por exemplo, quem vai subsidiar o idoso? Quem vai subsidiar o portador de necessidades especiais? Alguns já nos disseram que, em certos lugares, 30% do transporte são de idosos que não pagam. Quem vai subsidiar isso? Tudo tem de ser discutido. A Câmara de vereadores tem participado de reuniões com o prefeito e estamos analisando. Os incentivos que temos, no Brasil, é só para o transporte individualizado. Nem tudo a lei nos permite fazer. As vezes os empresários querem coisas, como por exemplo, isenção de ISS para facilitar. Infelizmente, o município não pode abdicar de arrecadação de receita sobre pena de responsabilidade fiscal. Por isso tem que haver uma conversa clara, com participação da sociedade e do Ministério Público. Hoje só estamos trabalhando as consequências, que é essa má qualidade do serviço, mas não estamos trabalhando as causas. Mas tudo isso não me exime de dizer que, parte do problema que está acontecendo, é por falta de gestão da empresa que está, atualmente, prestando nosso serviço.

      BLOG ALVO NOTÍCIAS – Essas empresas que estão sendo sondadas e dizendo que, para virem, querem ajuda da Prefeitura, por acaso já recebem subsídios do Poder Público lá onde elas estão operando?
    LUCIMAR NOGUEIRA – Elas estão passando pelas mesmas dificuldades. As empresas que estamos contactando são prestadoras de serviço em cidades como Goiânia, Uberlândia, Brasília e Belo Horizonte. Todas estão nos colocando os mesmos problemas. Inclusive chegou uma aqui e disse que já está quase parando em Goiânia, pois, aumenta-se o combustível (óleo diesel), aumenta-se o valor do salário do funcionário, aumenta-se o preço da peça de manutenção, aumentam-se os impostos e, em contrapartida, não podem aumentar o valor da tarifa. Se aumentar a passagem o povo depreda e quebra os ônibus e o prejuízo é do proprietário. Infelizmente, é isso que estamos escutando de todos. Portanto, temos que ter coerência e levantar todas essas dificuldades para não chegar a situação de ficarmos sem transporte coletivo em Jataí.

     BLOG ALVO NOTÍCIAS – Nessa situação mais radical, a Prefeitura de Jataí teria condições de assumir esse serviço?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Não há possibilidade de uma prefeitura de uma cidade do tamanho de Jataí assumir isso. É como já dissemos. Em razão dos custos e do investimento imediato inviabilizaria a administração. Prefeituras maiores, tipo Goiânia, São Paulo e Belo Horizonte - que estamos contactando - estão tendo dificuldades em suas linhas públicos e até estudam privatizá-las.

      BLOG ALVO NOTÍCIAS – Haveria algum paliativo para o caso de Jataí?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Paliativo seria encontrar uma empresa para assumir por 90 dias em caso de suspensão do contrato atual. Com uma eventual rescisão, seriam apenas 30 dias para a empresa retirar seu serviço da cidade e, depois abriria um novo processo licitatório. Outra dificuldade seria saber qual empresa, nas atuais circunstâncias, teria condições de trazer ônibus seminovos para ficar apenas 90 dias havendo a possibilidade, depois, de nem ganhar o processo licitatório. Até a burocracia e as leis impedem que você tenha uma solução imediata. Insisto em dizer que estamos buscando empresas que tenham condições e que queiram assumir o serviço em Jataí com o apoio do Poder Público para que possamos revolver esse problema de vez.

      BLOG ALVO NOTÍCIAS – A Auto Viação Jataí está um caos total ou tem algumas linhas que se salvam?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Não são todos os ônibus, mas, um, ou dois ou três que esteja com problema em uma linha causam problemas para o todo. Quero acreditar que, se a empresa tivesse responsabilidade, boa gestão e fizesse as manutenções nos veículos, daria para permanecer a rodar com tranquilidade prestando um bom serviço. Se a empresa quiser ela consegue. Depende de sua vontade.

       BLOG ALVO NOTÍCIAS – Quais pontos estão mais críticos?
     LUCIMAR NOGUEIRA – Uma vez que fizemos fiscalização em 21 ônibus e todos apresentaram problemas, acredito que, no geral, todos estejam comprometidos. Pelo que sabemos, os motoristas e os ônibus não ficam apenas em uma linha. Fazem rodízios. Por isso acho que todos estão com problemas referente a horários, velocidade, qualidade da mecânica, dentre outros.

Fim.