CASO HICKMANN: PROMOTOR VIRA “FRANCO ATIRADOR”

O consagrado promotor mineiro, Francisco Santiago, resolveu entrar arriscando no caso Hickmann

Francisco de Assis Santigo é um dos maiores promotores públicos do Brasil. Em 2007, ele atingiu a incrível marca de 1.000 atuações em juris (julgamentos onde ele é a acusação) e atualmente - em julho de 2016 - está perto da marca 2.000. Sua atuação sempre foi a típica de um promotor de Justiça, sendo que, na área criminal, buscou fazer, direitinho, seu papel, ora apresentando denúncias, ora querendo revisão de penas. É um mestre na "arte da palavra" e já reverteu vários processos. Entretanto, desta vez, não se trata ainda de um processo, e sim de um inquérito policial com conclusão em arquivamento. Acompanhando o noticiário do caso da apresentadora Ana Hickmann que sofreu a badalada tentativa de assassinato em Belo Horizonte no último dia 21 de maio e diante da decisão do delegado do caso em dar por encerrada as investigações, o promotor surpreendeu e apresentou, na quinta-feira, 7 de julho, uma acusação que contraria os resultados do inquérito da polícia. Nela, o cunhado da apresentadora, Gustavo Correa (irmão do marido), que foi rendido, teve sua esposa baleada e que acabou salvando-os, é apontado como responsável pela morte do invasor armado, Rodrigo Augusto de Pádua, que seria um fã doentio da apresentadora. Mesmo com a perícia no inquérito tendo apontado legítima defesa e morte em confronto, o promotor usou o argumento, em sua acusação, de que houve excesso nessa legítima defesa tendo em vista os burburinhos dos noticiários e a própria família do invasor que reclamou de morte por três tiros dados na nuca (sem condição de se defender). A questão é que a perícia havia apurado que havia ocorrido uma lutar de vida ou morte entre os dois que os tiros foram pela disputa da arma. Em momento algum houve rendição. O cunhado da apresentadora, que não é segurança e nem tem treinamentos com armas (ele é jornaleiro em São Paulo), só conseguiu se sobressair por ter usado os dentes no braço do invasor armado. Com essa acusação formal, o consagrado promotor dos quase 2.000 juris, acaba ficando na condição de franco atirador, tendo em vista que vai ficar dependendo da decisão do juiz que for analisar sua peça acusatória, podendo aceitá-la ou recusá-la.

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