MANIFESTAÇÃO ECOLÓGICA

Ambientalista põe a boca no trombone
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Ambientalista faz protesto pelas ruas em carro de som volante (Fotos: Sérgio Torres)
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Projeto de derrubada de 200 árvores de pinheiro da área do Campus Avançado de Jataí-Universidade Federal de Goiás (CAJ-UFG) causa protesto de ambientalistas locais. A manifestação começou logo pela manhã da sexta-feira, 5 de março de 2010.
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Protesto era contra derrubada das tradicionais e antigas árvores de pinheiro do CAJ-UFG

Árvores de pinheiro eram antigas e embelezavam a paisagem urbana da cidade. Sua localização era em uma grande quadra entre as ruas Marechal Rondon, Léo Lince, Tiradentes e Riachuelo, no setor Oeste (área nobre de Jataí) e dentro do CAJ-UFG.

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Árvores foram podadas por equipe local com uso de moto serra

Ambientalistas protestaram em defesa de causas ecológicas e ambientais. Universidade teria dito que poda seria apenas das árvores em estado precário e com risco de cair. Protesto também foi contra a venda da madeira que custaria R$ 5 mil de cada uma das 200 árvores.

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Três dias após a catástrofe das enchentes que fizeram transbordar dois rios e dois lados lagos em Jataí, ambientalistas locais saíram em protesto alertando para o risco do impacto ambiental para a sociedade.

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A população ouviu o protesto em carro de som e foi alertada através de entrevistas na imprensa de rádio. Por causa disso houve aglomeração de populares em volta dos trabalhos de derrubada. Pessoas engrossaram o protesto e ficou contra a derrubada das árvores que tanto embelezou a paisagem da Cidade Abelha. Manifestação reunião imprensa, polícia, políticos, populares e outros ao local.

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A polícia militar e a federal foram acionadas para darem proteção ao serviço de derrubada das árvores. Agentes federais de Goiânia vieram para garantir o cumprimento das ordens judiciais emitidas por juízes de Brasília e da capital goiana.

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O vereador presidente da Câmara Municipal de Jataí, Gênio Eurípedes, participou do ato de protesto contra a derrubada das árvores de pinheiro. Gênio tentou obstruir o trabalho dos madeireiros e “confrontou” com a moto serra. O edil foi agredido com empurrões pelos derrubadores e retirado pela polícia.

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As árvores de pinheiro mediam em torno de 40 metros. Ordem para derrubada e retirada veio por meio judicial.

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Uma das árvores (da esquina), de cerca de 40 metros, cai sobre o alambrado da área e atinge parte do parquinho infantil da pista de lazer em volta. Populares protestaram. Advogados da diretoria da OAB local estiveram presentes e avalizaram a situação. Direito estava com os derrubadores das árvores. Abaixo assinado tentava derrubar esse direito.

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Manifestantes colocam cruzes e velas no alambrado do CAJ-UFG

Flávia denunciou e tentou chamar a atenção para a questão ecológica global

ENTREVISTA: FLÁVIA

Flávia Renata ficou até rouca de tanto falar e gritar contra a derrubada dos pinheiros. Foi ela quem saiu às ruas com um microfone denunciando o ato de derrubada dos pinheiros da área do CAJ-UFG.

BLOG ALVO NOTÍCIAS: Você é ambientalista?
FLÁVIA: Não. Eu sou cidadã... Convoquei meus amigos cidadãos para (protestar)... Isso aqui foi uma barbárie. Como que, engenheiro florestal do curso e com menos de dois anos, conseguiu aval do governo e da Universidade Federal para pôr abaixo (as árvores). Olha o tanto que tem espaço vago. Porque eles não poderiam ter plantado ali no meio? Pra que derrubar o que está quieto? Engenheiro agrônomo já veio aqui, biólogo... Aqui não tem nada condenado! Vender? Cadê o dinheiro? Não se vende nada que é do povo sem o consentimento do povo. Cadê licitação? Eles, simplesmente, conseguiram envergonhar a Universidade Federal. A diretora (do CAJ) conseguiu desmoralizar a universidade apoiando uma barbárie dessas.

BLOG ALVO NOTÍCIAS: Você acha que sua causa poderá sair vitoriosa ou ter algum resultado mesmo sendo com relação a uma área federal?
FLÁVIA: Eu tenho dó dos homens porque... O que é federal? Tudo quem deu foi Deus! Foi à gente (jataienses) quem chamou a UFG pra cá!... Isso aqui, se os homens não cobrarem, Deus há de cobrar.

BLOG ALVO NOTÍCIAS: Você acha que o presidente Lula poderia, de alguma forma, estar vendo essa questão aqui?
FLÁVIA: No mínimo seria condizente, porque se ele apóia a Amazônia, por que não apoiar a causa de Jataí? Porque seria uma hipocrisia desmatar em um lugar e vendo plantar em outro. Não condiz. A pessoa tem que ser condizente com aquilo que ela fala e com aquilo que ela faz.

BLOG ALVO NOTÍCIAS: Tem alguma árvore condenada dessas que foram derrubadas aqui?
FLÁVIA: Isso é que é a ironia. As que foram condenadas não foram derrubadas. Derrubou-se, justamente, as sadias.

BLOG ALVO NOTÍCIAS: De quem você acha que é a culpa por essa “barbárie” ambiental?
FLÁVIA: A questão é que há um conselho... E que conselho é esse, pelo amor de Deus, que compactua com uma coisa dessas, que não chama o povo para saber o que estar acontecendo? Chega-se com a notícia, com a polícia federal e uma baixaria danada. Nem parece que é um povo formado, que tem grau superior. Chega a ser uma vergonha falar que tem grau superior. Imagina uma coisa dessas!

BLOG ALVO NOTÍCIAS: É você e quem mais que estar nesse movimento?
FLÁVIA: Eu e toda a população. A vizinhança... Porque a gente acabou de sofrer com enchente. Agora vem isso aqui que é um desmatamento, uma devastação. Isso aqui (a derrubada) foi algo reivindicado. Não consigo nem pensar como é que... Como uma pessoa consegue autorizar uma matança em série. Isso aqui é matança em série. Algo que não se deve ser praticado em mais nenhum lugar do planeta devido ao aquecimento global. O homem já deturpou tanto a natureza e chegar a esse ponto aqui...

BLOG ALVO NOTÍCIAS: Você é aluna da universidade?
FLÁVIA: Não. Eu sou cidadã e vizinha disso aqui e tem 15 anos que moro em Jataí. Isso aqui era minha sombra de descer e voltar do emprego. Agora vou ter de andar, literalmente, de guarda chuva, porque já não tinha sobra, não tinha árvore na cidade.

BLOG ALVO NOTÍCIAS: Como vai ser o movimento amanhã (no sábado, 6 de março de 2010)?
FLÁVIA: Eles disseram quem vêem podar e a gente disse que vem ver e manifestar. É um direito do cidadão, não? E o interesse público, da comunidade e do coletivo, sempre tem que permanecer sobre o interesse privado. É o que diz a nossa Constituição. E a gente tem que ter o apoio do Ministério Público, porque isso aqui não é uma situação de quatro ou cinco pessoas. Isso aqui é de um coletivo. E toda vez que tem um interesse coletivo em jogo a Ministério Público tem que entrar na área.
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