RESISTÊNCIA COMUNISTA

Fotos e texto: Sérgio Torres
Maria Eloá é adesivada pela candidata Marta Jane

ÚNICA CANDIDATA A GOVERNADORA DE 2010 CUMPRE AGENDA EM JATAÍ E RELEMBRA PASSADO COMUNISTA

A única mulher candidata ao cargo de governadora do estado de Goiás e uma das 16 aspirantes do Brasil nestas Eleições 2010, Marta Jane da Silva, 38 anos, do Partido Comunista Brasileiro-PCB-21, esteve cumprindo agenda na cidade onde foi criada. Ela, juntamente com o candidato a deputado federal de seu partido, Paulo Vinícius (Maskote) e o candidato a deputado estadual, professor Fernando Viana, também do PCB, assessorados por Fernando Santos, responsável local pela Comissão Provisória do partido, chegou em Jataí às 12 h da sexta-feira, 17 de setembro, para almoço com militantes. Às 14 h, Marta Jane concedeu entrevista coletiva para a imprensa local na sede de um sindicato trabalhista e às 15 h fez caminhada e panfletagem pelo centro da cidade. Às 17 h foi até Rio Verde (cidade vizinha) para participar de um debate e a noite voltou a Jataí. No sábado, 18, pela manhã, foi até Mineiros (outra cidade vizinha) conceder entrevista e a tarde já estava novamente em Jataí quando foi visitar a professora Maria Eloá de Souza Lima. Depois, participou de reunião de coordenação política e, no dia seguinte, domingo, 19, pela manhã, tomou café e foi fazer panfletagem na feira popular da cidade. Após às 12 h, retornou para a capital. Marta Jane reside em Goiânia onde exerce sua profissão e mantém o escritório regional do partido.

Visita de camaradas na residência de uma ex-ativista

ENCONTRO DE DUAS CAMARADAS COMUNISTAS EM JATAÍ CAUSA EMOÇÃO

Nascida em Caçú (cidade fronteiriça), criada em Jataí e residente em Goiânia, Marta Jane é professora universitária na capital e uma das maiores defensoras da bandeira comunista no estado de Goiás. Tendo em mãos suas propostas de campanha e panfletos do trabalhos, bem como um punhado de idéias socialistas, a candidata, em comitiva, aproveitou a tarde do sábado para visitar uma antiga militante do PC. Acompanhada dos candidatos Maskote e Fernando Viana, além do militante local, Fernando Santos, a candidata esteve na residência da professora Maria Eloá de Souza Lima, 87 anos, escritora, artesã, autodidata e ativista local desde os anos 50.
PASSADO E PRESENTE - Contrariando a política e o sistema capitalista da época e dos anos seguintes, Maria Eloá participou de várias campanhas ideológicas e chegou a lançar um manifesto intitulado: “Porque Me Tornei Comunista”. O encontro na residência teve um gosto especial de saudosismo e uma atmosfera de admiração. A comitiva foi recepcionada com hospitalidade pela artesã e seu esposo, Antônio Cândido da Costa Lima. Tomaram café, feito pelo senhor Antônio, e ouviram histórias e prosas da dona da casa. Era a apresentação de uma pequena parte do que foi o movimento comunista no passado em Jataí. O candidato Fernando Viana explicou sobre como está sendo, hoje, o trabalho do PCB a nível nacional e entregou impressos contendo folhetos e o regimento do partido. “Vocês estão me trazendo muitas novidades”, disse, visivelmente emocionada, a ex-ativista. Marta Jane fez perguntas e explicou sobre sua própria trajetória política e também falou de sua criação em Jataí e sobre sua campanha ao governo. Entusiasmados, os visitantes ouviram Maria Eloá dizer a seu esposo Antônio, com ar de brincadeira, admiração e saudosismo, de que estaria “voltando para o partido”. Houve aplausos e risos pelo espírito bem humorado e guerreiro da veterana militante. Dessa forma, a visita teve, na verdade, um sentido de requentamento de ideologias. Ao final, Marta Jane, sentada ao lado de Maria Eloá, concedeu entrevista exclusiva ao BLOG ALVO NOTÍCIAS.

O DESAFIO DO VELHO COMUNISMO NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
Maria Eloá recebe Marta Jane: emoção e recordação

ALVO NOTÍCIAS - Que balanço você faria desta sua visita aqui em Jataí?
MARTA JANE (PCB21) - Antes de mais nada quero dizer que é assim... Muito emocionante estar aqui com a professora Eloá, uma militante do Partido Comunista Brasileiro, ou PC, como os militantes antigos falam: o "PARTIDÃO PC". Isso mostra para nós que, isto que a gente tem discutido hoje, que a gente tem tentado construir enquanto perspectiva, mesmo, enquanto horizonte de transformação social no sentido do socialismo e da perspectiva comunista, realmente, é algo que sobrevive, que está na luta do Partido Comunista Brasileiro desde 1922. Sobrevive de fato. Faz parte da história da professora Eloá, faz parte da minha história, faz parte da história dos camaradas que estão aqui e, com toda certeza, nós vamos continuar construindo a perspectiva de uma sociedade sem opressão com as próximas gerações.

ALVO NOTÍCIAS – Professora Maria Eloá, o que a senhora está achando e qual seu sentimento de está recendo, em sua residência, camaradas de seu Partido Comunista e de estar relembrando uma história da sua vida?
MARIA ELOÁ – É emocionante. Eu estou sendo bastante forte por não está chorando, porque, na verdade, quando a gente relembra de uma época que ficou e que passou, mas que a gente guardou no coração e que, depois encontra camaradas como estes que estão na mesma luta, com uma diferença mínima, no sentido de não haver o perigo de serem presos, mas que a dificuldade é a de reerguer um movimento que estava, mais ou menos, nascente, não completamente nascente, mas... Eu acho que, essas duas lutas, se parecem. Então eu agradeço muito a eles por terem se lembrado de mim, da velha camarada...

ALVO NOTÍCIAS – Marta Jane, vamos relembrar dos símbolos comunistas: Rússia (ex-União Soviética), China e Cuba que, até recentemente, teve as declarações de Fidel Castro (*)... Vocês acham que o Comunismo ainda tem espaço a galgar no mundo hoje em dia?
MARTA JANE (PCB21) – Sem sombra de dúvida. O que nós entendemos é que o Capitalismo enquanto possibilidade de realização humana é altamente fracassado. Nós convivemos com o fracasso da condição humana no Capitalismo e sabemos que, para se construir, de fato, uma condição humana em que o ser humano não esteja sendo oprimido por outro ser humano e que não esteja vivendo na condição de... Da ausência da possibilidade de viver sua humanidade e ser sujeito da sua história é só mesmo na superação desta forma de organização. Acho que o contexto que a gente presencia hoje em matéria das experiências que chegaram a construir algo próximo do Socialismo e do Comunismo, cada uma com suas especificidades, elas têm diferenças entre elas. Têm algumas que avançaram mais, outras avançaram menos. Mas a perspectiva comunista para o Partido Comunista Brasileiro e outros partidos comunistas de outros países é na perspectiva, mesmo, do internacionalismo. Uma sociedade comunista como é Cuba, por exemplo, sofrendo todas as pressões dos países capitalistas, inclusive, embargos econômicos, nós sabemos que a possibilidade de se construir uma condição daquilo que nós entendemos de Socialismo e de Comunismo é realmente muito limitada. Portanto a nossa perspectiva comunista é internacionalista. Precisa-se construir a condição de vivencia do ser humano, com liberdade, com autonomia com centralidade mesmo, do ser humano não só em um país, mas é preciso avançar nessa condição de liberdade mesmo, da condição humana em escala internacional.

ALVO NOTÍCIAS – Comunismo versus Capitalismo, já demandou, inclusive, até guerra mundial, dividiu-se o mundo na Segunda Guerra e, hoje em dia, o Comunismo está em baixa. Vocês não se consideram, digamos assim, os heróis da resistência?
MARTA JANE (PCB21) – Têm muitos... Muitos heróis da resistência por esse mundo afora, não só aqui no Brasil, não só aqui no estado de Goiás, mas, na verdade, a perspectiva de construção do Socialismo não deixou de existir. Nós temos, hoje, muito mais dificuldade, talvez, em apresentar este debate por força de um momento em que o Capitalismo vive e que sufoca, inclusive, por meio das formas de comunicação, da mídia. As notícias que temos dos países comunistas aqui no Brasil são todas negativas e muitas vezes distorcidas, como é o caso dessa recente declaração do Fidel Castro que você mesmo fez referência. Na verdade ela já foi desmentida (**), porque aquilo foi um equívoco, uma distorção da fala do Fidel a respeito das possibilidades e das necessidades do avanço do Socialismo em Cuba. Então, há toda essa dificuldade em se fazer essa discussão, mas não porque ela deixou de ser necessária ou porque ela tenha deixado de ser legítima, mas por um momento histórico que a gente tem vivido e visto avanço bastante acentuado das políticas neoliberais, das políticas que descredenciam os movimentos de esquerda, de política de criminalização dos movimentos sociais de uma forma em geral e tudo isso intimida um pouco. Mas nós temos visto o movimento em torno da construção do Socialismo novamente crescendo. Cada vez que a gente vive períodos de crises agudas do Capitalismo a gente percebe que há uma possibilidade maior e mais fértil da discussão da perspectiva socialista. E como as crises são constitutivas do sistema capitalista, essas crises vão continuar acontecendo e com a intervenção dos que acreditam, os movimentos sociais serão muitos e muito serão os que lutarão pela superação desta condição de opressão que está imposta no Capitalismo muito embora os meio de comunicação não divulguem dessa forma, não veiculem essas notícias. Mas as coisas estão acontecendo. No campo e na cidade os movimentos estão acontecendo e a luta está sendo travada. 

ALVO NOTÍCIAS – Você fala das crises agudas do Capitalismo, então vou lhe fazer uma pergunta ideológica: onde vocês acham que está à falha no Capitalismo e onde vocês acham que o Comunismo poderia entrar para suprir?
MARTA JANE (PCB21) – Em primeiro lugar é aquilo que é a base, é aquilo que constitui o nascedouro do próprio Capitalismo que é justamente a ideia de um ser humano se enriquecer à custa do trabalho do outro, é a ideia de um ser humano explorar o trabalho do outro para benefício particular próprio. Então, na verdade, a situação do trabalho, na sociedade capitalista, é uma situação em que você se coloca em um lugar em que você produz riqueza da qual você não participará. O trabalhador, hoje, produz riqueza para o outro, para algum dono de meio de produção, para o latifundiário, para os donos dos meios de produção que se enriquecerem com aquilo que nós entendemos que à ‘Mais-valia’ que é o lucro que o dono do meio de produção tem a partir do trabalho do outro. Então o que ocorre: nós trabalhamos e tralhamos muito, produzimos uma riqueza que é grandiosa dentro de um sistema que é Capitalista, riqueza do ponto de vista da tecnologia, das possibilidades da comunicação, das possibilidades de todo o aparato tecnológico que a sociedade tem hoje. Todo o patrimônio cultural e material que a sociedade produz hoje é fruto do trabalho humano, só que nem todos participam do usufruto, do resultado desse trabalho que é a riqueza. Isso é constitutivo do Capitalismo. Isso só vai ter fim na superação dessa forma de produzir a existência humana. Só em uma situação que a gente tiver condição de produção e de partilhar a riqueza na sociedade, em que todos possam compartilhar de forma igual é que nós poderemos superar essa condição de opressão. Então é necessário que o fruto do trabalho humano, essa riqueza que o trabalho humano produz, seja, de fato, distribuída. Assim nós não teremos pessoas que hoje morrem de fome diante de um patrimônio mundial desses que é sem precedentes na história da humanidade. Pegando o exemplo daqui do próprio estado de Goiás quando os políticos estão dizendo por aí que estamos com um PIB de R$ 65 bilhões, um PIB que cresceu assustadoramente nos últimos anos e nós encontramos, no estado de Goiás, pessoas passando fome, pessoas que moram em barracos de lona na beira da estrada porque não têm um chão para plantar, uma casa para morar, não têm sistema de saúde para cuidar de sua saúde e não têm condição de segurança nenhuma. E isso é constitutivo dessa sociedade. Para superar essa condição de que uns têm muito e outros não têm nada é preciso superar essa as relações capitalistas. Não há outra alternativa. Nós já experimentamos várias formas dentro do capitalismo e a humanidade não conseguiu distribuir riqueza, de fato, sobre o Capitalismo.

ALVO NOTÍCIAS – Deixa fazer uma questão em cima do momento de sua campanha. Qual é a reação de vocês ou quais atitudes vocês poderiam tomar a respeito de tantas ações (processos) (***) do PSDB?
MARTA JANE (PCB21) – Isso, pra nós, não é uma surpresa porque, nós aqui, que somos todos goianos, conhecemos a truculência que está posta nas ações do ex-governador Marconi Perillo. Isso que ele faz com o partido que apresenta a discussão, realmente, de crítica a este modelo que está colocado no estado de Goiás, como é o nosso caso, está mesmo, muito próximo, daquilo que foi feito em outras ações truculentas que nós temos denunciado em nossos programas eleitorais e que tem sido objeto de questionamentos e de ações judiciais. Há um pacto de silencio aqui no estado de Goiás, não só aqui, mas em outras partes também, de que aquilo que... Esse mito que foi construído no estado de Goiás, que é Marconi Perillo, inclusive, mito construído com dinheiro desviado da Celg para publicidade do governo do estado e projeção do nome da pessoa, não admite, de fato, que sejam veiculadas, que sejam postas no debate, neste momento, essas questões que são, na verdade, da trajetória dele. Então, a gente entende, dentro do contexto, que esse tipo de ação faz parte do jeito dele agir mesmo... Desse jeito de fazer política que o ex-governador e atual senador Marconi Perillo tem feito na sua trajetória política dentro estado de Goiás. Além de ser uma ação truculenta, nós entendemos enquanto assédio moral, por causa do fato de ser uma candidatura de uma mulher, uma candidatura Comunista, isto incomoda muito mais e essas verdades serem ditas por uma mulher, por uma comunista, isso, na verdade, causa um incômodo muito maior e um constrangimento que o candidato não quer passar. Portanto, ele age com processos atrás de processos tentando silenciar o que nós estamos colocando.

"Vocês estão me trazendo muitas novidades", disse Maria Eloá

ALVO NOTÍCIAS – Dentro dos planos de trabalho de vocês, se caso você conseguisse ganhar para governadora de Goiás, quais seriam às suas ações como governadora e quais às ações de seu partido, o PCB, para governar o estado?
MARTA JANE (PCB21) – Bom, acho que o principal que nós estamos trazendo para discutir neste processo eleitoral, que estamos chamando de “Poder Popular” é, exatamente, constituir canais de participação e decisão política para a classe trabalhadora. Porque hoje a Democracia representativa não garante o atendimento da maior parte da população, dos trabalhadores de fato. Um exemplo disso é aquilo que a gente falava agora a pouco. Hoje tem gente que não tem casa para morar, não tem saúde, não tem educação, não tem acesso a esses bens todos: Saúde, Educação, Segurança e que está vivendo em barracos à beira da estrada. Vindo pra Jataí, nós passamos por vários assentamentos, pessoas que estão ali vivendo nessas condições há anos e não é coisa agora da semana passada. Há anos vivendo em condições subumanas neste estado todo, não só aqui. Isso o que estamos falando é da região sudoeste, uma das regiões mais ricas do estado de Goiás e que encontramos esse tipo de situação. Na região norte e região nordeste do estado de Goiás isso está muito presente também. Então nós constituiríamos, que é uma coisa que temos discutido, novas mediações para o exercício do poder aqui no estado de Goiás, que é constituir espaços para que às pessoas possam decidir sobre às prioridades das ações do governo. Por exemplo discussão orçamentária: quais serão as prioridades do orçamento do estado? Isso só a população pode decidir. Com toda certeza, se a gente trouxer a população para discutir o orçamento no estado de Goiás, nós teríamos muito mais verbas para a Educação, para a Saúde, para a Assistência Social, para a universidade e para a UEG do que nós temos hoje. A prioridade da População, com toda certeza, vai ser esses serviços básicos e não, por exemplo, o investimento em publicidade para projetar ou financiamento para outros tipos de atividades como nós tivemos aí em governos anteriores: dinheiro da Celg, patrocínio da Celg para carros de corrida lá nos Estados Unidos, enfim, são milhões. Nós estamos falando de milhões e não de uma ajudinha de custo a toa. Então a gente entende que esse seria o mote de um governo comunista que é trazer a população e os trabalhadores para tomarem decisões políticas no estado de Goiás e não apenas para serem consultados, ouvidos sobre o que acham. Não. Seria para tomarem decisões.

Marta Jane e Maskote tomam café na casa de Maria Eloá em Jataí

ALVO NOTÍCIAS – Minha última pergunta. Você está aqui na casa da dona Maria Eloá, que foi militante e hoje, está mais para uma simpatizante da causa...
MARIA ELOÁ (interrompendo): Um pouco mais.
MARTA JANE (PCB21): É, ela já está voltando para o PC, viu? (risos).
ALVO NOTÍCIAS – Ela está pensando seriamente... Mas, no estado de Goiás, em Goiânia e por onde vocês tem passado, nas cidades que vocês têm visitado, o PCB, o Socialismo pregado pelo PCB ou mesmo o Comunismo de raízes... Vocês encontraram muitos simpatizantes da causa?
MARTA JANE (PCB21) – Muitos. Muita receptividade nessa discussão.  Muitas vezes às pessoas falam: “ahhh! Então o Socialismo é isso? Então Comunismo é isso?” Porque, na verdade, nós temos uma visão distorcida por uma imprensa anti-comunista, anti-socialista, que traz, por meio da mídia e por meio dos noticiários, informações equivocadas e distorcidas a respeito das compreensões e das concepções socialistas e comunistas. Então, quando a gente traduz, por exemplo, que a construção do Socialismo tem que ser feita, por exemplo, na medida em que o estado prioriza a agricultura familiar e que a prioridade do estado não pode ser os altos investimentos feitos aí no agronegócio para a exportação... A gente ainda discutia hoje que o agronegócio no estado de Goiás... O estado de Goiás é um dos maiores produtores de soja. Tem o beneficiamento e produz para exportar e o óleo de soja é o produto que mais aumentou na cesta básica goiana. O que significa isso? Significa que a prioridade do agronegócio não é a soberania alimentar e não é a condição de vida das pessoas. É a produção para exportação e o enriquecimento privado. Então esse PIB astronômico que nós estamos presenciando aí é um PIB que não está sendo distribuído e sim apropriado por grupos econômicos específicos. Então quando nós traduzimos isso para as pessoas e falamos: “olha, 80% do alimento que chega a nossa mesa vem da agricultura familiar. Quase 80% dos postos de trabalho que estão no campo é de origem na agricultura familiar e não no agronegócio”... O agronegócio emprega pouquíssimo em comparação com a agricultura familiar e não produz alimentos. Produz comodities para exportação e tal. Então não faz sentido se pensar, enquanto política de estado, o Estado priorizar os investimentos no agronegócio com isenção de impostos, com doações de terras ou de espaços para a construção de indústrias e abandonar aquilo que, de fato, nós temos aí: o abandono da pequena agricultura, o abandono das políticas de reforma agrária. Não só no estado de Goiás, mas no Brasil de uma forma em geral. Então não justifica. Se a gente pensar que o Estado tem que estar dando condições para a maior parte da população veremos que o Estado está, exatamente, na contramão na história. Está priorizando quem já é rico e deixando os trabalhadores, a grande maioria da população, em condições cada vez piores. Se nós somos o oitavo PIB do País, nós somos os piores salários também do País. Os piores salários de professores do país estão aqui no estado de Goiás. Isso mostra que a lógica de organização do estado goiano não é para atender às necessidades da maioria e quando a gente traduz que, quando estamos falando de Socialismo estamos falando disso, de priorizar a condição humana, de priorizar o ser humano, por meio de políticas públicas e de estado que realmente dê condições de auto gestão e de garantir o pleno emprego. Quando falamos em “criação de postos de trabalho”, o Estado não tem que pensar só em criação de postos de trabalho. O Estado tem que pensar no pleno emprego e na totalidade da população que tem que estar trabalhando. E se mudar houver problemas, terá de garantir a frente de emprego, limitar o tamanho da propriedade privada, do latifúndio, dividir terra e dar as condições... É isso que é construir Socialismo e construir Comunismo. Quando a gente traduz isso não tem ninguém que continue com receio de Socialismo e de Comunismo.
FERNANDO VIANA (interrompendo)Só os latifundiários!
MARTA JANE (PCB21) – Isso, só os latifundiários (risos). Não tem classe trabalhadora, não tem quem fique com receio disso. Só os latifundiários...

Visita proveitosa. Em pé: Antônio Cândido (esposo de Maria Eloá), Paulo Vinícius "Maskote", Fernando Santos (comissão Jataí) e Fernando Viana. Sentadas: Maria Eloá e Marta Jane 

 

ASTERISCOS:
(*) O ditador cubano, Fidel Castro, que, atualmente, está afastado da vida pública por motivo de saúde, teria declarado, em uma entrevista de três dias ao jornalista norte-americano, Jeffrey Goldberg, da revista The Atlantic (O Atlântico), no início deste mês de setembro (dia 8), que o modelo comunista econômico de Cuba fracassou e que não funciona mais nem em Cuba e nem em lugar nenhum. “Vale a pena tentar exportar o sistema da ilha para outros países?” (valía la pena intentar exportar el sistema de la isla a otros países?), perguntou o jornalista querendo saber se o ditador acreditava que o modelo socialista cubano ainda era digno de exportação. “O modelo cubano não funciona sequer para nós mesmos” ("El modelo cubano ya ni siquiera funciona para nosotros") ("Cuban Model Doesn't Even Work For Us Anymore), teria respondido Fidel Castro.

(**) Fidel Castro, assustado e preocupado com os efeitos de sua declaração entre os simpatizantes e militantes do comunismo mundo afora, tratou logo de dizer que a declaração havia sido mal interpretada pelo jornalista e pela revista norte-americana. “Acho divertido, agora, em ver como ele me interpretou ao pé da letra” (“me divierto ahora al ver como él lo interpretó al pie de la letra"), disse Fidel que ainda rechaçou: “Na verdade o que minha resposta significava era exatamente o contrário do que o jornalista norte-americano interpretou sobre o modelo cubano. Minha ideia é que o sistema capitalista já não serve nem para os Estados Unidos e nem para o mundo já que o mesmo passa por crises e crises cada vez mais graves, globais e repetidas” (“Lo real es que mi respuesta significa exactamente lo contrario de lo que el periodista norteamericano interpretó sobre el modelo cubano. Mi idea es que el sistema capitalista ya no sirve ni para EE.UU. ni para el mundo, al que conduce de crisis en crisis que son cada vez mas graves, globales y repetidas”). O Jornalista, ao saber da retificação de Fidel Castro, também deu uma resposta ao ditador. Por meio de seu blog, Jeffrey Goldberg, agradeceu a entrevista ironizando Fidel e reafirmando que a declaração foi interpretada da forma como, de fato, foi dita. "Antes de mais nada, muito obrigado, Fidel, por suas amáveis palavras. Segundo, lamento dizer isto, mas a expressão ‘o modelo cubano não funciona sequer para nós mesmos‘ significa ‘o modelo cubano não funciona sequer para nós mesmos’”. Uma outra jornalista de uma agência de notícias que acompanhou a entrevista disse que também ouviu Fidel Castro dizer exatamente conforme foi publicado na revista.


(***) A candidatura Marta Jane PCB 21 vem enfrentando muitos processos judiciários por causa das inúmeras acusações contra a campanha Marconi Perillo (PSDB 45) e outros nestas Eleições 2010. São mais de 40. Em debate de TV (Record Goiânia), o tucano lembrou que "todos somos regidos pela Constituição. A época do olho por olho já passou" e disse não achar nada de errado alguém procurar a lei quando se sente lesado moralmente.