CIDADE / QUEIMADAS


Grande queimada em área militar provoca chamas e fumaça

Foi, literalmente, uma “Quarta-Feira de Cinzas” fora do Carnaval, na seca, abafada, quente e fosca Jataí deste final de Inverso. A grande área que fica em destaque no horizonte da cidade e que é pertencente ao Exército Brasileiro (41º BIMTz) voltou a pegar fogo de modo inesperado e proporcionou um verdadeiro espetáculo de fumaça para quem saiu à porta da rua. Olhos atentos ao horizonte e lá estava o morro pegando fogo. É a alma do goiano que não se contém enquanto não vê a renovação da fertilidade do solo através da prática da queimada. Mas, então teria sido um incêndio intencional feito por alguém? Isso ainda não se sabe. Mas, a julgar pela cultura da região em épocas de estiagem e de mato cerrado seco, essa deve ser a primeira suspeita. Por dias vem acontecendo focos de incêndio nessa mesma região e sempre a correria para acudir e se evitar o pior. Mas, o incêndio, desta vez, ficou incontrolável, avançou e alcançou grandes proporções no chamado "Morro do Zequinha Eduardo" e no Mirante do Cristo. A cortina de fumaça também fez a atmosfera local ficar poluída com fuligem e causou certa irritação nos olhos de muitas pessoas. Sintomas normais de fogaréu. O sinistro aconteceu desde o meio dia e só foi controlado após das 18 h dando muito trabalho para Bombeiros e para os próprios recrutas do 41º BIMTz. Sim, muito trabalho para os brigadistas e muita agonia para a fauna (pássaros, répteis, formigas, moslúsculos) e o restante da flora verde da mata. O abafa-abafa foi geral.

Chamas de até quatro metros de altura (mas bem maiores na largura) fizeram com que esta queimada, em toda a tarde desta quarta-feira, na área de preservação ambiental do Exército Brasileiro em Jataí (na verdade, matas de treinamentos propícias aos exercícios em floresta) ganhasse grande proporção e assustasse e preocupasse os moradores. E olha que o povo do interior já é um assustado, mesmo. O início do foco, provavelmente, foi do lado do bairro Sebastião Herculano (próximo do presídio estadual) e as labaredas, o barulho do fogo e até explosões (segundo relato de quem acompanhou de perto) assustaram e preocuparam os moradores próximos - as chamas estavam alí em seus quintais - e impressionaram a população que via a cortina de fumaça se levantar de longe. O tamanho da área queimada e os prejuízos estão sendo apurados pelo batalhão e pelo Corpo de Bombeiros. Sitiantes e chacareiros com propriedades próximas à área atingida, além de várias outras pessoas, ligavam para veículos de imprensa questionando o porquê do batalhão militar não promover um controle preventivo dessas mesmas queimadas que já ocorrem todos os anos. A área é circundada por rodovias BR a as suspeitas sobre quem seriam os incendiários recaem sobre moradores próximos. Até mesmo acidentes com tocos de cigarro aceso ou faíscas voadoras podem ser considerados. O uso da água para apagar o fogo, como se já não bastassem o período de escassez e os cortes da Saneago, ainda agravou mais um pouquinho a situação da população. Também teve as estradas (vias de acesso) interrompidas pelo incêndio. Quem quis passar pelo local teve de ficar parado aguardando o fogo cessar. Mas isso ainda é o de menos. No início da noite, após das 18h30min, quando as chamas pareceiam controladas, houve um novo foco de incêndio do lado da Alameda das Primaveras (saída para a BR-060), próximo ao cemitério Bom Pastor. Com tudo isso, de fato, esta foi uma quase "Quarta-Feira de Cinzas" em Jatai.